
resumos
dos convidados
dia 1 (29/08)
O ESTADO DE ARTE DAS “CIÊNCIAS DO LÉXICO” COMO ÁREA DE PESQUISA NO BRASIL: O QUE A HISTÓRIA TEM DEMONSTRADO
Aparecida Negri Isquerdo – UFMS/CNPq
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O estatuto e o conceito de palavra tem sido objeto de discussões, inclusive de controversas, na história dos estudos filosóficos e linguísticos. Todavia, nesse cenário é consenso a importância do componente lexical da língua na veiculação de ideias, crenças, culturas, tecnologias, enfim, a função do léxico na categorização e nomeação da realidade. Esta proposta tem como foco a discussão do espaço das pesquisas lexicais em suas diferentes vertentes no Brasil, tomando como fio condutor o papel do GT de Lexicologia, Lexicografia e Terminologia da ANPOLL, espaço onde foi gestado o termo “Ciências do Léxico” que também identifica a coleção que, neste ano, chega ao décimo volume e que tem documentado amostras dos estudos lexicais em suas diferentes vertentes.
A interface entre a Etimologia e a Lexicologia
Mário Eduardo Viaro – USP
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Os dicionários latim-português e português-latim de Jerónimo Cardoso (1508-1569) são de grande importância para a Lexicologia da língua portuguesa. O vocabulário existente nessas duas obras testemunha um divisor de águas entre o léxico anterior às Grandes Navegações e o dos dicionários de língua portuguesa anteriores a Raphael Bluteau (1638-1734). Dadas as suas peculiaridades lexicográficas, além das suas características ortográficas e linguísticas, trata-se também de um inestimável testemunho histórico do vocabulário anterior às inovações lexicais trazidas do Novo Mundo, as quais caracterizarão os verbetes dos dicionários posteriores de língua portuguesa. Nesse sentido, o seu valor etimológico é inestimável, de modo que, na idealização do DELPo (Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa), os testemunhos que fornecem os vocábulos dessas obras puderam servir, em determinado momento, como um verdadeiro marco em Etimologia, uma vez que podemos falar de um vocabulário anterior a Cardoso e de um posterior a ele.
O léxico como ponte entre as línguas românicas
Karine Marielly Rocha da Cunha - UFPR
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Como as línguas românicas possuem a língua latina como origem comum é natural que exista um léxico compartilhado entre elas. Conhecer as correspondências morfológicas e fonológicas que aproximam esse léxico pode ser positivo no processo de aprendizagem de línguas aparentadas uma vez que se chega a intuir o significado de algumas lexias conhecendo a morfologia lexical de cada língua. Como exemplo podemos citar as equivalências das terminações -dade (faculdade) em português; -tà (facoltà) em italiano; -té (facolté) em francês; -tat (facultat) em catalão; -dad (faculdad) em espanhol e -tate (facultate) em romeno. A proposta deste minicurso é apresentar elementos que possam ajudar na intercompreensão entre línguas românicas.
Terminologia e Ensino
Mariangela de Araujo
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Este minicurso objetiva apresentar aos participantes a pesquisa e o trabalho em Terminologia sob a perspectiva dos estudos linguísticos. Entendendo os termos como parte do acervo lexical dos indivíduos, visa-se a demonstrar que, desde muito cedo, na formação das crianças, os termos estão presentes e são adquiridos de maneira espontânea ou formalizada, em situação escolar. O minicurso enfatizará a aquisição dos termos pelas crianças em ambiente escolar, por meio de materiais didáticos. Serão discutidos os contextos em que os termos são apresentados, de forma a propiciar uma reflexão sobre a importância da discussão sobre as terminologias nas aulas do ensino básico, além de demonstrar como a negligência da abordagem terminológica pode acarretar dificuldades na aprendizagem adequada dos conceitos pelos(as) estudantes.
Ciências do Léxico, Linguística de Corpus e Tecnologia: confluências
Guilherme Fromm - UFU
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As propostas deste minicurso são: 1. Mostrar algumas possíveis fontes online (escolhidas a partir de análises de tipologias textuais ou árvores de domínio) disponíveis para compilação de corpora que funcionem como base para a montagem de bancos de dados com vistas a trabalhos lexicográficos e terminográficos; 2. Ilustrar como as informações advindas a partir dos corpora coletados podem ser trabalhadas por programas de análise lexical e/ou inseridas em bancos de dados já formatados (como o VoTec, ambiente web de gerenciamento terminológico) e; 3. Como montar dicionários/vocabulários/glossários mono-, bi- ou plurilíngues (a partir de traduções ou obras em contraste) totalmente baseados em corpus, ou seja, a partir de dados empíricos da língua em uso.
resumos
dos convidados
dia 2 (30/08)
Do social ao morfológico: o percurso de criação de unidades lexicais neológicas
Ieda Maria Alves - DLCV-FFLCH-USP
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Nesta exposição, em que apresentamos relações entre a criação de novas unidades lexicais e o contexto social que as origina, retomamos alguns aspectos já abordados em trabalhos anteriores (Alves 2004, 2007 e 2009), relacionando-os com fatos mais contemporâneos e vinculados ao atual contexto político-social por que passa a sociedade brasileira. Nesse contexto mais atual, observamos que a criação de unidades lexicais continua seguindo os padrões de formação tradicionalmente utilizados no português e nas línguas românicas – derivação, composição, neologia semântica e por empréstimo, sobretudo. No entanto, também constatamos que alguns processos de formação são mais frequentemente empregados do que em décadas passadas e, ainda, que o estilo de vida contemporâneo pode determinar escolhas relativas à formação de unidades lexicais neológicas. Os resultados apresentados são extraídos dos dados do Projeto TermNeo (Observatório de neologismos do português brasileiro contemporâneo).
O peculiar léxico toponímico
Profa. Dra. Patrícia Carvalhinhos - USP
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Dentre as muitas manifestações lexicais, as que falam mais alto aos falantes de uma língua são os nomes próprios. A Onomástica, uma ciência do léxico, possui muitos braços disciplinares e um deles é responsável pela maior parte de pesquisas pelo mundo, a Toponímia. Objeto multidimensional, o topônimo possui extrema importância como item linguístico, como patrimônio imaterial, como depositário de memória grupal, como objeto etnográfico e como fóssil linguístico, entre outros. Este minicurso propõe apresentar ao público algumas das peculiaridades do topônimo/nome de lugar enquanto item lexical, evidenciando suas muitas relações com outras áreas do conhecimento e sua necessária análise conjunta com meios extralinguísticos.
Antroponomástica: os nomes das pessoas no Brasil, como são e o que revelam
Márcia Sipavicius Seide – UNIOESTE -PR
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Neste minicurso, apresenta-se o campo de estudo da Antroponomástica que se volta ao estudo dos nomes próprios de pessoa e faz parte da área de pesquisa mais ampla denominada Onomástica, que investiga os diferentes tipos de nomes próprios. São discutidas diferentes possibilidades de definição do nome próprio de pessoa e são abordadas as possibilidades de categorização dos nomes próprios de pessoa. Por fim, são focados o início e o desenvolvimento dos estudos antroponomásticos no Brasil e são apresentados resultados inéditos de pesquisa revisão sistemática de literatura sobre como são constituídos os prenomes oficiais do Brasil e quais são as características epistemológicas de pesquisas recentes que tem por propósito a descrição deste tipo de antropônimo.
A Fraseologia: aspectos teóricos e aplicados
Profa. Dra. Elizabete Aparecida Marques - UFMS
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A fraseologia é uma área de investigação dos estudos lexicais que tem como objeto de estudo as combinações fixas de unidades lexicais, ou seja, as unidades léxicas complexas do léxico de uma língua natural. O estudo do fenômeno fraseológico não é recente, pois Saussure (1857 - 1913), no Curso de Linguística Geral, já apontava a existência de combinações sintagmáticas que não poderiam ser improvisadas por um usuário, por serem estruturas cristalizadas pelo uso da língua. Nessa perspectiva, esta proposta visa a apresentar e discutir, de forma introdutória, os fundamentos epistemológicos gerais e os princípios teóricos-metodológicos da Fraseologia, com o intuito de contextualizar e situar essa área no âmbito dos estados lexicais.
Aportes da Lexicografia para a Fraseografia
Angela M. T. Zucchi (USP)
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A Lexicografia, ciência que tem por objeto as obras lexicográficas (enciclopédias, dicionários, glossários, vocabulários), por sua longa tradição prática e teórica, traz contribuições imprescindíveis para a Fraseografia. Enquanto a Lexicografia ocupa-se das unidades lexicais (que incluem lexemas simples ou compostos), a Fraseografia se debruça sobre as combinações lexicais fixas de vários níveis, com base nos estudos fraseológicos e de convencionalidade. Em âmbito monolíngue, bilíngue e multilíngue, este minicurso propõe apresentar as principais características de obras lexicográficas, na forma impressa e digital, algumas questões de elaboração dessas obras e características de públicos a que são destinadas. A partir dessas premissas, segue-se para a observação e reflexão sobre a problemática da compilação e uso das obras fraseográficas.